
Mãezinha de ti nunca esquecerei.
Vestida de pano de saco de farinha tingido e chinelos
doados por quem não mais os queriam, era grande
a tua agonia por alimentos nos fornecer.
Nunca esquecerei do teu sofrimento, carregando trouxas
de roupas na cabeça, nos trens cheios, de estação em
estação, casa por casa, vários dias por semana.
Tu sempre serás minha heroína, pois ajudaste com suor
e sacrifício, a criar seis filhos.
A comida podia faltar para ti, mas por teus filhos,
esforçavas-te até a exaustão, para garantir o alimento.
Mãe, que saudades tenho de ti, do teu cheiro, do teu
jeitinho tímido, mas valente quando se tratava dos filhos.
O barraco onde morávamos, era limpíssimo e nós também andávamos arrumados e limpinhos. Lembro-me que dizias:
"pobreza não é sinônimo de sujeira".
Tu não tinhas armários, mas as prateleiras de madeira velha,
eram forradas com jornais onde fazias lindos recortes e
arrumavas as panelas velhas de alumínio brilhando,
todas limpas com areia e sabão.
Mãe, tu eras mulher forte, de fibra que sabias arrancar
do peito a dor da miséria para colocar amor, carinho e distribuir
igualmente entre todos os filhos.
Tudo o que sou e que tenho hoje, devo primeiramente
a Deus, depois a tudo que aprendi contigo.
Obrigada por tudo, mãe!
Beijos perfumados da tua filha, cheia de saudades,
Licia.
*
Licia Falcão Rodrigues da Silva.
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