segunda-feira, 4 de abril de 2011
"PORRETES ABENÇOADOS"
Era uma vez ,um velho sanfoneiro que gostava de molestar menininhas.
O safado tocava sanfona numa igrejinha e ele era bem conceituado.
As pessoas mal sabiam que ele na verdade, era um lobo vestido de ovelha, um pedófilo.
Um dia o velho dissimulado persuadiu a mãe de Nina a deixá-la uma noite em sua casa argumentando que ajudaria nas despesas e também compraria sapatos e roupas para a menina.
Dona Almerinda, mãe de sete filhos, lavadeira mergulhada na pobreza, não hesitou em entregar nas mãos do velhaco sua garotinha de sete anos de idade.
Sempre que a mãe avisava a filha que ela iria dormir na casa do velho, ela chorava e pedia para não ir, mas nada adiantava.
Um dia suas irmãs mais velhas vendo o desespero de Nina toda vez que isso acontecia, perguntaram-na o porquê de tanto sofrimento.
A menina amedrontada a princípio titubeou, mas com a insistência das irmãs terminou por contar a verdade.
Rapidamente as irmãs começaram a fazer combinações engenhosas para o dia da vingança.
Jaci e Telma foram até uma obra próxima e cataram toras de madeira com tachinhas. Levaram para casa e estocaram com cuidado para que não fossem descobertas.
Chegou o grande dia de colocar o plano em ação.
Era domingo e o velho devasso convidou a menina para dormir em sua casa novamente.
Desta vez as irmãs imploraram a Dona Almerinda para irem junto com a Nina, alegando que como ela, poderiam ganhar sapatos e roupas também.
A mãe mordeu a isca. Essa era a parte inicial do plano.
As irmãs pegaram as toras de madeira escondidas e oraram pedindo a Deus que abençoasse as tais ferramentas para dar uma grande lição no velho tarado.
Elas saíram com tudo sem que ninguém percebesse.
Já na casa do velhote, todas foram acomodadas por ele em camas separadas.
Jaci, Telma e Nina combinaram fingir que estavam dormindo.
O velho vendo que “dormiam”, apagou as luzes e logo aproximou-se sorrateiramente de Nina.
Telma comandava a operação de vingança. Ao seu sinal todas cairiam de pau em cima do velho.
Contudo Jaci, quase estragou o plano querendo antecipar a pancadaria.
Telma segurava o braço de Jaci até o momento certo lhe pedindo calma.
É agora! Disse Telma.
As irmãs tiraram as toras debaixo dos travesseiros e começaram a surrar o velho lembrando aos gritos o motivo pelo qual estava apanhando.
Jaci só batia! Não sabia onde estava batendo pois estava tudo escuro.
Telma grita para Jaci: “ pode acender a luz que eu garanto”!
A pancadaria continuou. Agora Telma e Jaci sabiam onde estavam batendo.
Após a surra as meninas deitaram juntas numa mesma cama ainda armadas de porretes e ouviam de longe o velho gemendo de dor.
No outro dia o tal pedófilo estava bem dolorido, mesmo assim deu dinheiro para as meninas.
Dona Almerinda as esperava na igrejinha e ainda pensava que ele era um homem digno e bondoso, e só queria ajudar.
A noite o velho sanfoneiro apareceu na igrejinha todo arrebentado dizendo a quem perguntava, que tinha levado um grande tombo de cara no chão.
Essa foi a última vez que o velho safado“ ajudou” nas despesas” de Dona Almerinda.
As irmãs só diziam: “ê porrete abençoado”!!!
*
Licia Falcão Rodrigues da Silva.
Viviane Rodrigues da Silva
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